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Edição: Brasil
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Ciência e P&D

Desvendado o mistério do incenso

O incenso é um dos perfumes mais antigos do mundo. A equipe de Nicolas Baldovini, do Instituto de Química de Nice (CNRS/UNS), na França, finalmente conseguiu identificar os componentes responsáveis por seu aroma característico: duas moléculas que os cientistas decidiram chamar de "ácidos olibânicos", encontradas recentemente pela primeira vez na natureza. Os resultados das pesquisas acabam de ser publicados on-line, no site da revista Angewandte Chemie International Edition. [1]

Na Bíblia, ele é citado mais de 20 vezes, aparecendo como um dos tesouros ofertados pelos Reis Magos no Natal. O incenso, também denominado olíbano [2], é uma goma-resina secretada pela casca de árvores do gênero Boswellia, que crescem em países situados às margens do Mar Vermelho e do golfo de Áden. Ele é um dos perfumes mais antigos do mundo: seu uso remonta a mais de 6 mil anos e contempla todas as civilizações, desde a era mesopotâmica até a época atual. Frequentemente queimado durante cerimônias religiosas, o incenso contribui para conferir às igrejas seu odor peculiar. Por incrível que pareça, apesar da longa história e do grande número de pesquisas dedicadas a ele, ainda não tinha sido possível determinar a natureza exata das moléculas que conferem ao incenso seu perfume característico.

Moléculas presentes em quantidades ínfimas

No Instituto de Química de Nice (CNRS/UNS), organismo especializado em perfumes, Nicolas Baldovini e sua equipe conseguiram pela primeira vez identificar essas moléculas. A dificuldade residia em definir métodos de análise suficientemente precisos para caracterizar substâncias aromáticas presentes em quantidades ínfimas (algumas centenas de ppm) no perfume – o que tornava extremamente difícil a identificação.

Goma-resina de incenso © empresa Albert Vieille

Goma-resina de incenso © empresa Albert Vieille

Para chegar aos resultados obtidos, os pesquisadores usaram 3 kg de óleo essencial de incenso da Somália. A partir desse material, isolaram aproximadamente 1 mg de uma amostra purificada de dois componentes aromáticos, obtida por meio de uma série de processos de destilação, extração e cromatografia.

Foi necessário constituir um grupo de pesquisadores treinados para reconhecer o aroma típico do incenso, pois só o olfato humano é suficientemente sensível para detectar esses componentes, presentes em quantidades mínimas em uma mistura.

Em seguida, foi preciso determinar a estrutura molecular dessas substâncias por ressonância magnética nuclear (RMN), técnica equivalente à IRM (imagem por ressonância magnética) aplicada a moléculas. O que confere ao incenso o cheiro tão peculiar de "igreja antiga" são duas moléculas identificadas como os ácidos (+)-trans- e (+)-cis-2-octil-ciclopropano-1-carboxílico. Aliás, foi a primeira vez que esses componentes foram encontrados na natureza. Para confirmar de maneira irrefutável a caracterização das substâncias, realizada graças a um processo de análise espectral, a equipe sintetizou separadamente os dois componentes, que os pesquisadores denominaram "ácidos olibânicos". Os cientistas conseguiram, com a experiência, demonstrar que as substâncias sintetizadas eram idênticas aos componentes naturais.

"Graças a essa descoberta, os perfumistas terão a possibilidade de fabricar essas moléculas de maneira artificial e ilimitada, e de usá-las nos mais variados perfumes", conclui o CNRS em um comunicado.

Observações

[1(+)-cis- and (+)-trans-Olibanic Acids as Key Odorants of Frankincense. Céline Cerutti-Delasalle, Mohamed Mehiri, Cecilia Cagliero, Patrizia Rubiolo, Carlo Bicchi, Uwe J. Meierhenrich and Nicolas Baldovini. Angewandte Chemie International Edition. Publicado on-line em 4 de outubro de 2016.

[2O termo olíbano deriva do latim medieval olibanum e do grego ho libanos

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