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Edição: Brasil
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Ambiente

Crise hídrica no sudeste do Brasil afeta a indústria e os serviços de beleza

Fábricas de cosméticos e salões de cabeleireiros investem em alternativas para economizar água e produtos “inteligentes” ganham destaque entre consumidores.

Tatiana D'Alessio Sombra, gerente de marketing da Batiste

Tatiana D’Alessio Sombra, gerente de marketing da Batiste

Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais enfrentam a pior crise hídrica dos últimos 84 anos, segundo o Ministério do Meio Ambiente do Brasil. O volume de água nos principais reservatórios da região sudeste do país chegou a níveis alarmantes e a ameaça de um racionamento drástico ronda a todos, incluindo a indústria da beleza.

Água é a matéria prima mais utilizada na fabricação de cosméticos. Além de solvente para diversos componentes, ela é parte importante na composição da maioria dos produtos. Uma colônia leva de 15% a 40% de água, os xampus, de 35% a 70%, e um creme hidratante pode ter até 75% do líquido em sua fórmula. Mesmo assim, esta é apenas uma pequena parcela do consumo na indústria: o grande gasto se dá em procedimentos de higienização de equipamentos e utensílios, para garantir a qualidade do produto final.

Economizar é preciso e urgente. Empresas instaladas nas cidades mais afetadas pela falta de água buscam meios para reduzir o consumo. A Embelleze, dona de algumas das marcas mais populares de artigos para cabelos no Brasil, investiu no armazenamento e reuso de água e estuda instalar um poço artesiano em sua fábrica do Rio de Janeiro. A Avon tornou sua operação mais eficiente, intensificou o reuso e não descarta ampliar a terceirização em outros estados. A L’Oréal, que já vinha desenvolvendo uma campanha contra o desperdício de água, conseguiu uma redução superior a 40% em suas plantas industriais no Rio e São Paulo, em comparação com o consumo de 10 anos atrás. A meta é chegar a menos 60% até 2020.

O setor de serviços também tenta driblar a escassez hídrica. Cabeleireiros sugerem corte a seco para o público masculino e pedem às clientes que cheguem com a cabeça já lavada. Novas soluções surgem nos salões: antes do xampu, apenas algumas borrifadas de água para umedecer os fios, e para processos químicos, os agendamentos são no período da manhã, quando o risco de desabastecimento é menor.

Medidas para economizar já são adotadas pelos profissionais de beleza: a água da lavagem dos cabelos serve para limpar os pincéis e potes de tintura; um redutor de vazão na torneira pode diminuir pela metade a água que vai para o ralo; e na hora de fazer as unhas, nada de pés de molho na bacia. Descartáveis e emolientes dão conta do recado.

Na ponta final desta cadeia está a população brasileira. Para não descuidar da aparência e ainda poupar água, os consumidores estão apostando em cosméticos “inteligentes”, que dispensam o uso do precioso líquido. Lenços umedecidos removem a maquiagem, refrescam e hidratam a pele. Para higienizar as mãos, o prático álcool em gel elimina 99,9% das bactérias e seca instantaneamente.

Mas o queridinho da vez é o xampu seco. Segundo Tatiana D’Alessio Sombra, gerente de marketing da marca Batiste, o produto pode ser usado em todos os tipos de cabelo e deve ser aplicado nas raízes sempre que houver necessidade de eliminar a oleosidade dos fios, deixando-os com um aspecto saudável e limpo.

Fabricada pela companhia norte-americana Church & Dwight, a Batiste foi lançada no mercado brasileiro em 2013. “Identificamos que a categoria de xampu seco não era desenvolvida por aqui. Era um nicho que poderíamos explorar, criando entre os consumidores o hábito de usar o produto”, diz Sombra. A falta de água acabou tendo um reflexo positivo no desempenho da empresa. “Em menos de dois anos, o país já representa 15% das vendas da Batiste e a expectativa é dobrar o faturamento”, revela.

Renata Martins

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